acordei e era como se eu ainda tivesse fechada nos pesadelos noturnos.
sem vontade nem pra respirar, levantei e me arrumei, fui pro trabalho.
na ida a padaria pra comprar meu café da manhã, vejo uma senhora baixinha, franzina, puxando pelas mãos o seu esposo, muito idoso mas altivo...ela vai na frente e ele fica pra trás, um grande degrau o faz tropeçar e a tempo de não ser uma queda fatal eu corro para levanta-lo e ela ajuda do outro lado fazendo o mesmo.
as pessoas passantes na calçada veem e nada fazem, ficam perplexas mas se esquivam, voltam a andar...eu levanto ele, ela o senta na cadeira e percebemos que com a queda ele tem um pequeno corte no cotovelo, a pele é muito fina nessa idade e os cortes são profundos...
olho pro senhor, que de cabeça baixa, arfando, tem um olhar perdido...digo "fica bem senhor, bom dia", era pra ter saído coisas mais positivas e não tão apáticas, mas aquela cena me fez lembrar do meu avô, que ontem pela manhã na volta da ida a feira, caiu na calçada e bateu a cabeça com sorte de não ter uma fratura fatal.
só fiquei sabendo ao chegar em casa a noite, decidi parar lá todo dia pelo menos na hora do almoço pra saber como vão meus avós, se precisam de algo...já que eles me criaram e me sinto na obrigação a implicar atenção e carinho para eles.
minha mãe é a filha deles, mas parece que os trata como desconhecidos. como vermes.
isso é dolorido de sentir e saber, é nojento.
eu sinto tanto...e ao me deparar com uma cena que poderia ser vista por outros olhos ontem pela manhã, na volta do meu avô da feira, eu me comovi, e senti que seria a minha mãe que deveria levantar aquele velho homem, que tanto faz pelas pessoas, e que pouco olham por ele.
puro egoísmo, já que o mundo é todo de pressa...
sinto muito =~
e fora a conturbada idéia de uma nova fase por vir, um final que traz um longo começo de projetos e quem sabe de uma vida próxima.
ontem eu aliviei uma parte que sangrou
e hoje eu sangro aos pedaços por duas pessoas.
meu estomago está embrulhado, já é hora de voltar do almoço e eu não sinto falta nem de água.
preciso de alegria ao menos na sexta-feira
alguém me "salva" ?
se você não queria ler tanta lamentação, vai ler outro blog, ou melhor...vá comprar um bom livro fictício.
eu sou real!
quinta-feira, 31 de julho de 2008
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Um comentário:
O quanto tem de sinceridade nisso tudo me deixa feliz de saber que existe alguém que sente, para além da simples idéia de sentir...
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